Escolas públicas podem performar como as escolas privadas?
Do que trata o estudo?
O estudo investiga por que algumas escolas públicas conseguem alcançar níveis de desempenho semelhantes aos das escolas privadas, mesmo enfrentando barreiras típicas da administração pública, como menor autonomia, regras rígidas e incentivos limitados. Os autores exploram a interação entre dois fatores centrais: recursos organizacionais (exemplo: a qualificação dos professores) e práticas de gestão (como planejamento e engajamento com stakeholders externos).
Quais dados foram utilizados?
A pesquisa analisou dados de mais de 9.000 escolas públicas e privadas brasileiras, combinando informações do Censo Escolar e do ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio), totalizando cerca de 800 mil estudantes. Foram mensuradas práticas de gestão, recursos disponíveis e o desempenho médio dos alunos nas provas do ENEM.
Principais resultados
- Escolas privadas adotam com maior frequência práticas internas de gestão (ex: planejamento pedagógico, gestão de recursos humanos) e práticas de engajamento externo (ex: interação com famílias e comunidades).
- Essas práticas estão fortemente associadas a melhores resultados educacionais.
- No entanto, escolas públicas com professores mais qualificados (com pós-graduação, por exemplo) tendem a adotar práticas superiores com mais frequência, reduzindo a diferença de desempenho em relação às escolas privadas.
- A presença de recursos tecnológicos administrativos também facilita a adoção dessas práticas.
O que gestores podem extrair disso?
- Boas práticas de gestão importam – e muito. Planejamento estruturado, monitoramento e conexão com stakeholders externos não são exclusivos do setor privado, mas sua adoção exige recursos adequados.
- Investir em capital humano qualificado, especialmente em ambientes públicos com menor flexibilidade institucional, pode ser um poderoso antídoto às limitações burocráticas.
- Mesmo em contextos altamente regulados, recursos e práticas bem escolhidos podem transformar o desempenho organizacional.
⚠️ Limitações e cautelas
- Os dados analisados são observacionais, o que significa que as relações identificadas são correlacionais, e não necessariamente causais.
- Fatores como motivação dos gestores, cultura organizacional e políticas públicas locais não foram explorados em profundidade.
- A análise foca no setor educacional brasileiro – embora os achados possam ser inspiradores para outros contextos, é preciso cautela ao generalizar.
Referência
Teodorovicz, T., Lazzarini, S., Cabral, S., & Nardi, L. (2023). Can public organizations perform like private firms? The role of heterogeneous resources and practices. Organization Science, 34(4), 1527-1553. (Link)
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