A qualidade do ar pode afetar suas decisões? A ciência diz que sim
Você já imaginou que o ar que respiramos pode influenciar nossas decisões mais importantes? Um estudo recente publicado na Management Science revelou um dado surpreendente: a poluição do ar em ambientes internos pode prejudicar diretamente o desempenho cognitivo e a qualidade das decisões estratégicas.
O experimento: partidas de xadrez e sensores de ar
Pesquisadores analisaram mais de 30 mil lances em torneios de xadrez na Alemanha, cruzando o desempenho dos jogadores com medições em tempo real da qualidade do ar (especificamente, os níveis de PM2.5, uma partícula poluente microscópica).
As jogadas dos participantes foram avaliadas por uma inteligência artificial (Stockfish), que comparava cada lance com a melhor jogada possível. O objetivo era entender se havia relação entre níveis de poluição e erros de tomada de decisão.
E os resultados?
Os números chamam atenção:
- Um aumento de apenas 10 µg/m³ de PM2.5 elevou em 2,1 pontos percentuais a chance de um jogador cometer um erro grave.
- Nos momentos de maior pressão — entre o 31º e o 40º lance da partida — os erros aumentaram ainda mais: 3,2%.
- E não para por aí: os erros cometidos em ambientes mais poluídos foram 20% mais graves, especialmente quando o tempo para pensar era limitado.
Além disso, jogadores menos experientes foram os mais afetados, o que mostra que a poluição do ar amplia desigualdades cognitivas até mesmo em jogos intelectualmente exigentes como o xadrez.
O que isso tem a ver com você?
Seja em uma reunião, numa apresentação importante ou na hora de tomar uma decisão estratégica no trabalho, a qualidade do ar ao seu redor pode estar influenciando (negativamente) o seu raciocínio — sem que você perceba.
O que fazer?
A recomendação dos autores é clara:
Melhore a qualidade do ar nos ambientes internos onde decisões importantes são tomadas.
Isso pode ser feito com:
- Ventilação natural ou mecânica;
- Purificadores de ar;
- Plantas que ajudam a filtrar o ambiente;
- Monitoramento constante de poluentes como PM2.5 e CO2.
Referência: Künn, S., Palacios, J., & Pestel, N. (2023). Indoor air quality and strategic decision making. Management Science, 69(9), 5354-5377